Por Glaucia Marinho
Terça-feira chuvosa no centro do Rio de Janeiro. Duas horas da tarde de um dia comum. Pedestres passavam apressadamente. Outros assistiam assustados àquela cena. Os mais ousados se atreviam a gritar: “Viva o príncipe regente!”. Dom João VI caminhava pela ruas do centro, contando suas feitorias. O que construiu, o que destruiu, e quem escravizou. Seus súditos os seguiam sem titubear, contemplando a História que, segundo os historiadores, não serve para explicar o passado, mas justificar o presente.

O beija-mão, hábito que a realeza enraizou na cultura brasileira
Às 13 horas deste dia 28 de agosto tiveram início as comemorações (não-oficiais) do bicentenário da chegada da família real ao Brasil. O historiador Milton Teixeira encarnou Dom João VI e refez o trajetória da família real ao chegar em São Sebastião do Rio de Janeiro. Dom João, dois padres, a Guarda Real da Polícia e alguns súditos (jornalistas, historiadoras, estudantes, entre outros) se encontraram no Centro Cultural da Marinha, seguiram até a Casa de Comércio, hoje conhecida como Casa França-Brasil, adentraram um dos maiores empreendimentos da Família Real, a primeira agência do Banco do Brasil, que agora abriga um centro cultural.
A multidão acompanhava Dom João, que seguiu em direção a antiga catedral, situada na Rua do Rosário. Dom João contou o motivo da transferência do lugar da catedral da Igreja do Rosário para a de Nossa Senhora do Carmo. A capela de Nossa Senhora do Carmo ficava mais próxima da casa da alteza real. Dali, retomou o caminho da Catedral, a antiga Sé, que está sendo restaurada para o aniversário do bicentenário da chegada da família real no Brasil.

A imprensa não dá descanso ao monarca
O convite ao historiador Milton Teixeira de refazer os passos de Dom João partiu da Associação de Amigos da Antiga Sé como contribuição inicial para a festa dos duzentos anos. A partir de 8 de março de 2008, a igreja estará de portas abertas para os festejos. O passeio acabou com a chegada do príncipe regente à casa oficial, o Paço. Em meios aos gritos de “Viva o príncipe regente”, dessa vez outra coisa chamava atenção. Eram os gritos dos grevistas do estado, ao lado na Assembléia Legislativa, trazendo de volta os problemas do ano de 2007.
No Paço Imperial, apontando para sua própria imagem
Ao longo desse ano, esse blog vai publicar várias matérias relacionadas ao centro do Rio, tendo a chegada da família real como pano de fundo.

Quem é rei nunca perde sua majestade: Dom João acena do alto do Paço

Com o coronel da Polícia, instituição criada por ele mesmo