Flâneur Carioca

Histórias, personagens e lugares do Centro do Rio

Sessenta anos querendo ter vinte Outubro 11, 2007

Arquivado em: Cultura, Guilherme Amado, História, Saúde, Social — flaneurcarioca @ 1:47 pm

Localizado na Saúde, o Hospital dos Servidores do Estado luta para não viver das glórias do passado

Fundado em 1947, o Hospital dos Servidores do Estado, no bairro da Saúde, chega aos seus sessenta anos na luta diária para voltar a ser um centro de referência internacional como foi até a década de 80. Melhor hospital da América Latina durante décadas, o Servidores foi um marco não só pela excelência médica, mas também pelas inovações que trouxe para a arquitetura hospitalar. A fama foi trazida também pelos ilustres notáveis que circularam pelos corredores de mármore e granito. Justamente por estar à frente de todas as outras unidades hospitalares do país, era comum que presidentes da República, ministros e personalidades artísticas se internassem ou fizessem exames nas moderníssimas instalações do hospital. De lá pra cá, muita coisa mudou.

Os presidentes e ministros preferem o Albert Einstein, em São Paulo, as personalidades sumiram quase todas, exceção para Dercy Gonçalves, que até hoje tem tratamento especial por lá. Essa mudança de preferência não foi à toa. Com a criação do Instituto Nacional de Assistência e Previdência Social (INAMPS), no início da década de 1990, o HSE passou a ser administrado pelo governo estadual. Os problemas começavam. Em 1992, com o repasse de verbas extremamente prejudicado pelo governo Collor, com funcionários extremamente desmotivados pelos planos econômicos do mesmo presidente, devendo milhões a fornecedores hospitalares, o hospital chegou a ser interditado pelo Conselho de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ). Faltavam medicamentos, alimentos e material hospitalar. No mesmo ano, o hospital fechou as portas para emergências, exames de ambulatório e internação. O HSE corria risco de vida.

Ao ser devolvido para o governo federal, passou por uma faxina administrativa e tem tido sucessivos gestores, médicos da instituição sempre, tentando reerguê-lo. “Hoje, o Servidores conta com uma Comissão de Planejamento e Informação, que pretende impor uma administração mais racional, capaz de empreender uma administração mais racional e transparente, mapeando metas e potencialidades de cada um dos nossos serviços.” – explica Geiza Araújo, assessora de imprensa da instituição. Alguns números do Hospital mostram seu tamanho e importância para a população de todo o estado. De acordo com a direção do HSE, chegam pessoas vindo de todas as cidades do Rio e, dependendo da complexidade do procedimento médico, de outros estados.

Basta, no entanto, cruzar os belos jardins da entrada durante uma manhã para se ver que ainda existe muito a melhorar para que volte a ser o centro de excelência de outrora. Como uma pessoa de sessenta anos, o HSE luta para não deixar a idade pesar e voltar à vitalidade de seus vinte e poucos anos, perdida durante a meia idade. Durante as próximas duas semanas, o Flâneur Carioca fará uma série especial sobre o Hospital, com histórias e personagens do Servidores e da luta diária que é enfrentar filas desde o início da madrugada para ser atendido no sistema público de saúde do Rio de Janeiro.


2006 em números para o HSE

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